Atualizado 09/02/2018

Socorristas de Lages reclamam de falta de médicos e ambulância reserva

Viatura foi enviada a São Joaquim após acidente em janeiro. Região não tem população suficiente para mais médicos, mas recebe muitas chamadas.

Os socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Lages, na Serra catarinense, reclamam da falta de mécicos e ambulância reserva. Uma das viaturas da cidade foi enviada a São Joaquim depois de um acidente de trânsito em janeiro. A região não tem população suficiente para ter mais médicos, mas recebe muitas ligações, como mostrou o NSC Notícias desta quinta-feira (8).

A Ozz, empresa terceirizada que administra o Samu, informou que segue o número de médicos reguladores previsto em contrato. Para reforçar a equipe, dependeria de uma negociação entre a Secretaria de Estado e o Ministério da Saúde, capaz de alterar a portaria e o contrato.

Sobre a ambulância que até agora não foi consertada, informou que o processo de reposição está em andamento, mas é demorado porque precisa adaptar um veículo para os serviços médicos.

 

Dificuldades

 

O Samu da região de Lages atende 290 mil pessoas. Pela portaria do Ministério da Saúde, precisaria ter 350 mil para contar com um médico a mais.

"Todas as demais regiões têm no mínimo dois médicos reguladores porque elas atingem o número mínimo populacional. Só que Lages consegue atingir o número de ligações que as outras regiões têm. Então a demanda de volume de trabalho por médico é muito maior", disse o advogado Eduardo Coutinho.

O último relatório a que os funcionários da central tiveram acesso mostrou que a central de Lages registra mais ligações do que a região de Chapecó, no Oeste, onde há três médicos por plantão.

Um médico que não quis se identificar disse que a situação coloca os pacientes em risco: "Às vezes, a ambulância ja está com paciente em atendimento dentro da ambulância, não tem como tirar o paciente de dentro da ambulância para fazer outro atendimento. O atendimento mais grave infelizmente vai ter que esperar e podem ter casos desse paciente vir a óbito porque a gente não conseguiu encaminhar a ambulância mais rápido pela falta de um segundo médico regulador".

O médico contou que as ligações ficam represadas na linha de espera, mesmo em casos que não podem esperar: "Se não aconteceu óbito, eu tenho certeza absoluta que quase óbito deve ter acontecido. Porque vários casos graves entram em chamada e a gente com um médico regulador só não consegue atender todos os pacientes".

 

Ambulância e carro de passeio bateram de frente na SC-114 em São Joaquim (Foto: Wagner Urbano/OnJack)

Ambulância e carro de passeio bateram de frente na SC-114 em São Joaquim (Foto: Wagner Urbano/OnJack)

 

Sem ambulância reserva

 

Além de só ter um médico regulador por turno, Lages também só tem uma ambulância. A reserva foi deslocada para substituir a viatura de São Joaquim, que estava sem seguro quando se envolveu em um acidente na SC-114 em 11 de janeiro. Até agora a viatura não foi consertada.

"Nós não temos uma ambulância reserva avançada hoje. Então, se por ventura der algum problema na ambulância, mecânico, seja lá o que for, tem que esperar ser consertada para ter novamente uma UTI [Unidade de Terapia Intensiva] móvel em Lages", disse o médico que não quis se identificar.

Fonte: G1
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